Adoro remexer coisas antigas, cartas, postais, fotografias. Sou o tipo de pessoa que guarda mil coisas inúteis, tipo guardanapos especiais, caixinhas, botões, entradas de cinema que foram especiais... enfim, todo tipo de cacareco. E, melhor do que guardar tudo isso, é tirar uma tarde para reler o que está guardado, rever fotos antigas, lembrar de gente que ficou lá atrás e ver como a gente mudou de lá pra cá.
Andei fazendo uma dessas revisitas ultimamente, só que de forma virtual. Reli um blog antigo que tive enquanto ainda estava na faculdade, e ele acabou se revelando um raio x de quem eu era naquela época. Pouco autoconfiante, muito ingênua. Muito romântica e muito idealista. E, ao contrário do que geralmente acontece, encontrei coisas interessantes ali.
Entre essas coisas interessantes, encontrei um e-mail antigo (embora o conceito "e-mail antigo" possa ser bem relativo), muito agradável aos olhos e à cabeça. Não fala de nada específico, mas ele todo soa como um leve desabafo de uma pessoa amiga, inteligente, sensível e culta. O tipo de pessoa que eu gostaria que me rodeasse todos os dias. O tipo de gente que eu gostaria de ter comigo numa noite qualquer na minha cozinha bebendo vinho e conversando sobre política, história, cinema e literatura...
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Eu ainda não escrevi do que eu gostaria. E de verdade, não estou fora da Matrix, estou dentro dela, todos estamos na verdade.
Eu sou uma pessoa de fino trato que sabe sentar e usar os tempos
verbais, mas francamente não dou a mínima pra muita gente porque
ninguém paga minhas contas. Nunca me vi como você descreveu porque acho q vivo me segurando demais pra não falar, não agir, não magoar as pessoas.
Ás vezes acho que a ignorância e a superficialidade são dádivas, mas
eu nunca as possuí e sempre me chamaram de pessimista quando abria a
boca na sala de aula (imagine: uma sala de aula de mestrado com
pedagogas discutindo aprendizagem e eu pedia a palavra pra dizer que
o governo só quer a educação inclusiva pra gastar menos, que não é
viável gastar com crianças que babam e manter escolas pra elas, não
serão adultos produtivos mesmo) mas não sei fumar maconha cor de
rosa e nem me espelhar na experiência dos outros pra ficar livre de
mim.
A vida não é fácil. Mas não tem procon pra ela.
Abraços,
E.
sábado, 4 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Tributo a Michael Jackson
Mesmo branco, sem nariz e morto, Michael Jackson ainda vive em nossos corações.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Eu entro em uma dessas lojas lotadas de gente e de cosméticos, e de mulheres procurando por xampu que dá volume, hidratante que alisa, creme que tira manchas da pele, etc., e percebo a imensidão de possibilidades que se esconde numa loja dessas e que, conscientemente ou não, faz tanta gente feliz. Dá pra ter cabelos pretos, castanhos, ruivos ou loiros – isso pra ficar só no básico. Dá pra ter a pele do jeito que se quer, da cor que se quer. Unhas, idem. Dá pra escolher entre ter uma barriga flácida ou comprar um daqueles cremes e ficar com um abdômen durinho. Dá pra escolher entre ter celulite ou mandá-la para o espaço usando um creme que promete diminuição de 50% na primeira semana de uso.
Enfim. São as mesmas promessas de felicidade que eu posso comprar em uma loja de roupas da moda, em um salão de beleza, em um canal de TV, em um supermercado, em uma banca de revistas. Sempre se pode pagar para que digam como se deve vestir, comer, ler, falar, pensar, ser. Pagar aos professores, o psicólogo, ao personal trainer, ao padre.
Eu entro em uma dessas lojas, olho para as pessoas e fico meio perdida. Porque mesmo estando no mesmo mundo que elas e pensando exatamente como elas (é impossível ser uma outsider completa), há algo sob a minha pele que me faz ficar desconfortável ali. Eu queria mesmo ter a pele e o cabelo que aqueles produtos me prometem, mas algo grita lá dentro de mim, me dizendo que é demais. Algo fica gritando até me cansar e lembrar que sou boa mesmo em ficar só com as minhas roupas de sempre, minhas calças jeans e minhas camisetas largas e surradas. “E eu sou assim / torta / a essa hora / assim deste jeito / com este cabelo assim, torto / desmaquiada / sapato jogado do lado da porta / os gatos em volta me perguntando umas coisas, me roçando nas pernas e você aqui sempre comigo”.
Enfim. São as mesmas promessas de felicidade que eu posso comprar em uma loja de roupas da moda, em um salão de beleza, em um canal de TV, em um supermercado, em uma banca de revistas. Sempre se pode pagar para que digam como se deve vestir, comer, ler, falar, pensar, ser. Pagar aos professores, o psicólogo, ao personal trainer, ao padre.
Eu entro em uma dessas lojas, olho para as pessoas e fico meio perdida. Porque mesmo estando no mesmo mundo que elas e pensando exatamente como elas (é impossível ser uma outsider completa), há algo sob a minha pele que me faz ficar desconfortável ali. Eu queria mesmo ter a pele e o cabelo que aqueles produtos me prometem, mas algo grita lá dentro de mim, me dizendo que é demais. Algo fica gritando até me cansar e lembrar que sou boa mesmo em ficar só com as minhas roupas de sempre, minhas calças jeans e minhas camisetas largas e surradas. “E eu sou assim / torta / a essa hora / assim deste jeito / com este cabelo assim, torto / desmaquiada / sapato jogado do lado da porta / os gatos em volta me perguntando umas coisas, me roçando nas pernas e você aqui sempre comigo”.
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