Adoro remexer coisas antigas, cartas, postais, fotografias. Sou o tipo de pessoa que guarda mil coisas inúteis, tipo guardanapos especiais, caixinhas, botões, entradas de cinema que foram especiais... enfim, todo tipo de cacareco. E, melhor do que guardar tudo isso, é tirar uma tarde para reler o que está guardado, rever fotos antigas, lembrar de gente que ficou lá atrás e ver como a gente mudou de lá pra cá.
Andei fazendo uma dessas revisitas ultimamente, só que de forma virtual. Reli um blog antigo que tive enquanto ainda estava na faculdade, e ele acabou se revelando um raio x de quem eu era naquela época. Pouco autoconfiante, muito ingênua. Muito romântica e muito idealista. E, ao contrário do que geralmente acontece, encontrei coisas interessantes ali.
Entre essas coisas interessantes, encontrei um e-mail antigo (embora o conceito "e-mail antigo" possa ser bem relativo), muito agradável aos olhos e à cabeça. Não fala de nada específico, mas ele todo soa como um leve desabafo de uma pessoa amiga, inteligente, sensível e culta. O tipo de pessoa que eu gostaria que me rodeasse todos os dias. O tipo de gente que eu gostaria de ter comigo numa noite qualquer na minha cozinha bebendo vinho e conversando sobre política, história, cinema e literatura...
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Eu ainda não escrevi do que eu gostaria. E de verdade, não estou fora da Matrix, estou dentro dela, todos estamos na verdade.
Eu sou uma pessoa de fino trato que sabe sentar e usar os tempos
verbais, mas francamente não dou a mínima pra muita gente porque
ninguém paga minhas contas. Nunca me vi como você descreveu porque acho q vivo me segurando demais pra não falar, não agir, não magoar as pessoas.
Ás vezes acho que a ignorância e a superficialidade são dádivas, mas
eu nunca as possuí e sempre me chamaram de pessimista quando abria a
boca na sala de aula (imagine: uma sala de aula de mestrado com
pedagogas discutindo aprendizagem e eu pedia a palavra pra dizer que
o governo só quer a educação inclusiva pra gastar menos, que não é
viável gastar com crianças que babam e manter escolas pra elas, não
serão adultos produtivos mesmo) mas não sei fumar maconha cor de
rosa e nem me espelhar na experiência dos outros pra ficar livre de
mim.
A vida não é fácil. Mas não tem procon pra ela.
Abraços,
E.

