quinta-feira, 5 de março de 2009

Brainstorm melancólico

Todas as coisas boas que eu não consigo guardar comigo

O som das teclas da minha máquina de escrever, um tec-tec suave e gostoso.

O som do Bolero de Ravel, uma das músicas mais bonitas que eu já ouvi.

O cheiro de baunilha de um perfume barato e doce (demais da conta) que eu comprei recentemente.

O gosto do vinho português que eu guardo na geladeira (sim, é tinto. Sim, eu sei que não se gela vinho tinto. Sim, ele ainda está lá na geladeira).

As aulas de literatura que eu tinha na faculdade, que não eram só aulas de literatura, mas de poesia, de arte, de idéias, de savoir-vivre, de idealismo.

O som dos atabaques que ouvi, pela TV, na bateria do Mestre Ciça da Viradouro no último Carnaval.

O abraço da minha mãe.

O cheiro da minha avó.

As cores do traje de um monge budista: um laranja e um carmim tão intensos que parecem que meus olhos vão derreter.

As palavras de Manuel Bandeira:
Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.


O gosto do chili quente e apimentado e as fotos de Tina Modotti

A cena hilária do John Cleese, do Monty Python, dizendo “This parrot ceased to be! This is an ex-parrot!!!”

A voz da nina Simone cantando “I got my freedom\ I got life”, maravilhosa.

Os poemas de Sylvia Plath.

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