sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Flash back

Quando tudo no presente está meio solto e confuso, sem linhas delimitando o que se deve e o que não se deve fazer ("did I miss the mark, overstep the line that only you could see?"), é bom olhar pra trás. Isso me ajuda a ter em mente quem eu sou. É claro que não dá pra eu me definir com certeza olhando pra trás (a pessoa de hoje e a de ontem são bem diferentes), mas lembranças de coisas que eu costumava fazer, de pessoas que passaram pela minha vida, de discos que ouvi servem como pistas, como o cordão de prata que me ajuda a voltar para o lugar de onde eu vim. Eu prezo muito esse cordão de prata.
Agora estou aqui digitando e vendo TV. Casino, de Scorcese. Taí: Thaís é alguém que gosta de assistir Scorcese. Desde Woodstock, passando por Taxi Driver, The Last Waltz, Casino até o maravilhoso No Direction Home. Ainda não vi o documentário que ele fez sobre os Stones, mas sou paciente. E sei prorrogar prazeres muito bem.
Na minha frente leio "Casillero del Diablo". Rótulo de um Carmenere 2006. Chile. Lembro também que gosto e muito de vinho tinto. E seco (quanto mais seco, melhor). É, um Camenere, o primeiro vinho da minha tão sonhada e planejada adega, que tão logo chegou, já foi aberto. Eu não sirvo pra ter adegas. Tem gente que consegue guardar uma garrafa de vinho por uns 30 anos. Eu não.
Eu também gosto de rock. Clássico, despojado. Gosto de molhar o pão no café-com-leite e de derreter o chocolate que está na minha boca enquanto bebo café bem quente. Gosto do cheiro do meu perfume predileto, mas só quando ele se mistura com o meu próprio cheiro e gera um perfume único, menos estético e mais humanos do que aquele que estava no frasco. Mais suave e mais morno.
O que mais? Hum, eu me sinto no céu se, no fim de semana, posso me dar ao luxo de acordar cedo, tomar café assistindo TV e depois voltar para a cama com um bom livro. Gosto de estar com gente que se diverte fácil, que se abre fácil. Eu costumava desconfiar de pessoas alegres, achava isso um pouco falso (o mundo está uma merda, por que alguém deveria estar alegre?). Mas na verdade, de uns tempos pra cá (depois que tive meu filho, pra ser mais exata), passei a gostar de gente alegre. Me dá prazer estar com pessoas assim. Alegres. Leves. Abertas a novos relacionamentos, novas amizades, novas idéias, novas crenças. Abertas a mudanças. Isso é o que faz de alguém uma pessoa generosa: a capacidade de dar seu tempo e sua atenção sincera a algo ou alguém. E só depois da chegada do Pedro eu aprendi isso.

1 comentários:

michellesilva7 disse...

Olá amiga, lendo este seu texto voltei ao passado e encontrei você e campinas e senti saudade de tudo o que vivi e aprendi por aí... adoro você e sou fã da delicadeza com a qual você se expressa.