domingo, 29 de junho de 2008

Diferença e tolerância

Do livro Outros Heróis e esse Graciliano, de Marilene Felinto, uma citação de Graciliano Ramos:

“Desejo de ir além das aparências, tentar descobrir nas pessoas qualquer coisa imperceptível aos sentidos comuns. Compreensão de que as diferenças não constituem razão para nos afastarmos, nos odiarmos. Certeza de que não estamos certos, aptidão para enxergarmos pedaços de verdade nos absurdos mais claros. Necessidade de compreender, e se isto é impossível, a pura aceitação do pensamento alheio.”

Desde que comecei em um novo emprego, há pouco mais de três meses, já assisti a duas palestras, digamos, motivacionais. A primeira, com uma empresária e defensora do meio ambiente. A segunda, com uma especialista de RH. Ambas discorreram sobre diferenças: diferenças entre culturas, entre gerações, entre governos, entre modelos de gestão. E, em ambas as apresentações, parecia haver uma busca por soluções, uma necessidade de transpor barreiras. Pelo menos foi a impressão que tive.

Esse é um tipo de coisa que me irrita. Digo, tratar a diferença como algo a ser solucionado, derrubado. Não seria melhor tratá-la como algo que merece interesse, curiosidade? Ou, como sugeriu Graciliano, uma aceitação de algo que é alheio?

0 comentários: