Hoje, enquanto eu dirigia do trabalho pra casa, fim de tarde, percebi que a maioria das árvores já está com aquele tom marrom-alaranjado de outono. Às vezes fica-se puto com esse tempo doido que deixa todo mundo gripado porque em um dia faz frio, calor, chuva e frio de novo. Mas não dá pra reclamar do tempo nos últimos dias. Com essas folhas caindo, não tenho do que reclamar. Dirigindo pra casa e vendo o sol caindo lá longe, meio desbotado, jogando aquela luz que aquece na medida certa, eu pensei em como é bom perceber as pequenas coisas (que no fundo são as maiores), curtir as amenidades. Eu sei que o pôr-do-sol do Arpoador é lindo, e que há cartões postais maravilhosos por aí, mas eu realmente gosto das folhas caídas pelo meu caminho.
Da mesma forma, as conquistas extraordinárias, os grandes feitos e realizações não me seduzem. É claro que eu já quis muitas coisas, e me senti frustrada quando não as tive. Assim como nas poucas vezes em que me apaixonei, e levei o pé-na-bunda, fiquei na fossa. Mas não há nada como o conforto para o qual eu recorro nesses meus momentos de fossa: o conforto das folhas pelo chão, do sol me aquecendo, dos poemas que tenho guardados de cor na cabeça, dos filmes e músicas antigos que me parecem tão sinceros, do cheiro de leite fervido com canela, açúcar e baunilha. Tudo isso me dá um consolo gostoso, quando a vida não vai bem, quando há uma pequena frustração aqui e ali.
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Ouvindo (muito) ultimamente:
O Velho e o Moço Los Hermanos
(Amarante)
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