segunda-feira, 7 de abril de 2008

Minha avó tinha um frasco de Chanel...

De uns tempos pra cá eu tenho parado pra observar, prestar um pouco de atenção nos velhinhos. No bairro onde moro, e particularmente no meu prédio, há muitos deles. Aqui no prédio a gente até brinca de somar a idade de todos eles ou fazer piada com a rampa que foi colocada ao lado da escadaria do hall (serve para cadeiras de rodas, macas, etc...). Tudo no bom humor. E acho que esse bom humor é o que mais me atrais nesse pessoal, digamos, mais agé.

Na praça sempre tem um senhorzinho, com uma cara muito da simpática, que todas as tardes está sentado num banco tocando gaita. Eu não faço idéia de que música seja aquela, mas dá vontade de sentar ali do lado dele e ficar só vendo a tarde passar.

Tem também uma senhorinha que eu vi atravessando a rua enquanto eu estava parada no meu carro, no sinal vermelho. Ela simplesmente atravessou na faixa, devagar, sem pressa, com seu chapéu branco, blusa listrada em azul e branco, bolsa vermelha, calça branca e sapatos bem baixinhos e vermelhos. Uma coisa linda de se ver. E muito chique.

Isso sem contar um senhor que eu sempre encontro quando vou ao supermercado, carregando meu filho no colo. Geralmente esse senhor está com uma acompanhante, e quando cruza meu caminho, ele faz sinal para a acompanhante parar, e me pergunta: “desse aí tem pra vender?”, referindo-se ao Pedro. E o mais engraçado é que ele nunca se lembra de já ter falado comigo, e sempre faz a mesma pergunta. E eu não consigo me aborrecer.

As velhinhas do meu prédio são um capítulo à parte. Superativas, estão sempre fazendo alguma atividade, carregando sacolas, subindo e descendo escadas. Todas bem sabidas, bem humoradas. E sabem cada coisa, desde advocacia até alimentação e curas naturais. É um barato sempre encontrar com elas na porta do prédio e ficar de papo.

E o que tem a ver o vidro de Chanel? É que essa é a melhor lembrança que tenho da minha avó paterna, que morava no Rio de Janeiro, e morreu há alguns anos. É claro que tenho outras lembranças boas, mas acho que a do frasco de Chanel nº5 é a mais mítica, porque eu sempre entrava no quarto dela, ainda bem nova, e olhava aquele vidro cheio de um líquido dourado, com cheiro tão bom. Estava sempre lá, sobre a penteadeira, junto com o batom cor-de-rosa antigão e os brincos de pressão (esses são antigos mesmo). E era o Chanel que me chamava a atenção, quando eu nem sabia nomes de perfumes ou quem havia sido Coco Chanel.

Hoje eu sou doida pela Coco Chanel, doida pelo Chanel nº5, e pobre demais pra comprar um. Até uso outros perfumes, já experimentei vários, mas como acho que perfume não é coisa pra gente ficar trocando e trocando, o nº5 virou meu grande predileto. Acho que é culpa da D. Yara.

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