sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ando bem saudosista ultimamente. Tenho lembrado de coisas de Pinda, de infância, de pessoas, músicas...
Tive uma tia incrível, brincalhona, bem humorada, engraçada, amorosa. Me chamava de perereca, e me dá uma saudade danada quando eu me lembro dela e penso que não vou mais vê-la. Ela está sempre comigo.
Tenho também amigas que estão meio longe, um longe que não é tão longe mas que impede que a gente se veja sempre que quiser. E aí ficam também as memórias. Em Pinda tinha um bar, que funcionou por pouquíssimo tempo, e ficava no meio do nada. Mas era bom. Não tinha nada de especial. Uma área coberta, com mesas e cadeiras, e uma área que parecia uma garagem, onde rolavam uns rocks. Dava pra ficar ali bebendo a noite toda, com os amigos, curtindo um som, papeando sobre besteira. Era muito bom.
Pinda é engraçada. Não tem muita coisa bacana, mas quando algo bom aparece, é bom mesmo. No último carnaval, montaram uma tenda num lugar bem pouco provável, e todas as noites eram uma festa. Mas o legal mesmo era quando juntava o povo da matiné, mais família, com o pessoal da noite. Ficava uma coisa meio heterogênea e acho que por isso era legal. Por exemplo, enquanto a banda tocava uns roques (é, rock no carnaval) uma criançada subia no palco e ficava ali brincando, pulando, sentando perto da caixa de som. Foi uma coisa até meio surrealista; até hoje não sei se foi algo espontâneo ou algum número.
Da saudade e das memórias que tenho da minha família e das minhas amigas, nem falo nada.
Hum, a TV está ligada do meu lado e acabou de passar o show que os Rolling Stones fizeram em Copacabana em 2006. Outro dia que eu não esqueço, principalmente porque não foi aquela coisa de pegar o carro, chegar lá, entrar no show e depois ir embora. Não. Foi aquela coisa de subir num ônibus um dia antes, de galera, aguentar 9 horas de viagem, com serviço de bordo medíocre. Várias paradas. Começar o dia já em Copacabana, passar o dia todo naquele clima, esperando o show, esquecendo da vida, sentada num calçadão, no meio do povo, conhecendo gente diferente, fazendo um som de roda, indo pro mar, cozendo na areia. Tomando cerveja o dia todo e vendo os camelôs passando na areia e vendendo de tudo (a gente até brincou que, mesmo antes do show, eles já deviam ter o dvd Rolling Stones em Copacabana). Foi bem legal mesmo.
Minhas memórias tem muito a ver com músicas (como acontece com muita gente). Sempre gostei de relacionar meus momentos com músicas, e de relacioná-las entre si. Sempre fui de montar fitinhas com várias canções diferentes, pra ouvir no quarto, quando eu era adolescente e gostava de enfurnar pra ler algum livro ou escrever besteiras.
Hoje meus cds tocam principalmente no carro, no caminho da creche do meu filho até o meu trabalho. Deixo meu Pierrote, aumento o volume e aí é meia hora de Chico Buarque (Cotidiano), Neil Young (Harvest Moon - maravilhosa), The Band (Ophelia), Nina Simone (I wish I knew how it would be to be free), Buddy Holly (That'll be the Day), Ney Matogrosso e Plap (A Ordem é Samba), Amy Winehuse (You Know that I'm no Good), Buddy Rich (The Beat Goes On), e até Manuel Bandeira recitando Belo Belo eu ouço enquanto dirijo. E já posso prever que, daqui a uns anos, quando eu ficar saudosista de novo e me lembrar dessa época em que estou e do meu atual emprego, essas músicas e o Belo Belo serão umas das minhas melhores memórias.

Belo Belo
Manuel Bandeira

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo -que foi? passou- de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

-Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

1 comentários:

michellesilva7 disse...

Olá amiga... tambem fiquei nostalgiosa com esse seu texto... puxa, e por falar em copacabana, lembra do falcão? e pensar que eu podia agora estar morando em qualquer lugar do país encerando os dreds dele, kkkkkkkkkkk... oportunidade é assim, ou pega ou perde, rs... saudade de ti também, muita muita... vou acabar indo praí num feriado desses... besos