terça-feira, 4 de março de 2008

Plenitude

Esses dias eu tava folheando uma revista, uma Marie Claire da vida (eu tento me emendar mas qual), e vi uma matéria interessante sobre gravidez. Interessante porque abordava o processo de maneira bem diferente do que se costuma ver por aí: a partir do ponto de vista da grávida de primeira viagem. Ou seja, nada daquelas velhas dicas que a gente encontra em qualquer página da internet, tipo: você vai ter apetite em dobro, pode ter desejos, vertigens e tals. O que a matéria apresentava era uma série de dicas de uma jornalista que está passando por uma gravidez e que tem percebido aqueles detalhes que são superpessoais e que a gente não encontra publicado em lugar nenhum. E aí eu comecei a lembrar das minhas descobertas superpessoais durante o tempo em que carreguei o Pedro na barriga.

- O sono é matador. Depois do almoço então, nem se fala.

- Eu fiquei tarada por água. Não, não era sede, nem estava passando calor. O que me agradava era ouvir barulho de água, ver água, senti-la escorrrendo pelas mãos.... É um treco doido demais, eu me perguntava de onde vinha aquilo, me sentia uma ET.

- Olfato super-extra-aguçado. Eu tinha, sim, os enjôos só de sentir o cheiro da cera que o zelador passava no corredor do andar em que eu morava, mas em compensação, tinha um prazer absurdo em sentir cheiros de ervas e perfumes. Não preciso nem dizer que tomava mil chás, e até um artefato de ervas pra prender no chuveiro e improvisar um banho-de-deusa eu arranjei. E era uma maravilha! Lembro uma vez de passar por um outdoor e ver uma propaganda de um creme hidratante, acho que Dove, em que havia a imagem de um copo com gelo e umas folhas verdes e a frase "Aguce seus sentidos". Eu olhei praquilo e ri comigo: "ah, esse povo não sabe o que é ter os sentidos aguçados".

- Um desejo enorme de levar a vida do jeito mais natural possível. Acho que minha gravidez foi a época em que fui mais alternativa e radical nessa opção: eu não queria remédios, perfumes, maquiagem. Não ficava neurótica por fazer exames e mais exames. Me alimentava superbem. Me sentia linda e de bem com a vida (não tive muitos ataques histéricos e mudanças de humor repentinas). Tentava aproveitar ao máximo os meus momentos de ócio pra conversar com o Pedro, cantar pra ele, tomar sol no barrigão e esperar a natureza fazer efeito.

- Por falar em natureza fazendo efeito, a cesariana estava fora dos meus planos desde o início. Eu confiei muito no meu corpo e na natureza pra saber que o parto aconteceria na melhor hora para o meu corpo e para o Pedro, mesmo que demorasse. Confiava que nenhum corpo pode gerar algo que não pode expelir (essa história de que fulana teve que fazer cesária porque o bebê era muito grande ou porque não tinha abertura é mito, papo furado, no existe).

- O melhor da gravidez: criei em mim uma conciência feminista que nunca tinha tido antes. Me toquei de coisas que antes estavam anos-luz à minha frente. E me tornei uma feminista incurável, que certa vez, andando com o barrigão pela rua, viu um passou por uma magrela na rua, tipo aquelas modeletes anoréxicas, e pensou sinceramente: "coitada, parece tão vazia...". Vazia, no melhor sentido da palavra, porque eu me sentia plena.

1 comentários:

michellesilva7 disse...

descobri como comentar, rs... essa tecnologia me sacaneia sempre...
amiga, ser mãe é uma idéia que tem me perseguido, só preciso arranjar um pai, aff... essa é a parte mais difícil, rs...
lindo texto, li e me lembrei das fotos que fiz de vc e de como te achava linda gravida... ãin que saudade....
bjux bjux