Outro dia estava eu lendo uma dessas revistas "femininas", sei lá se era Cláudia ou Nova ou Elle (eu sei que elas não prestam, mas nesse ponto eu sou como a Miranda de Sex and the City: qundo abro minhas revistas, nada mais existe...), e vi uma mini reportagem sobre "mulheres francesas". O texto tentava desvendar o que tornava essas sortudas tão lindas, magras e chics. Entre outras coisas, descobri que o corte de cabelo das très chics é aquele chanel com franja reta sobre a testa, a sombra é verde-musgo (mas esse já era meu tom predileto muito antes de eu ler a revista) e as porções de comida são mínimas (quer dizer, comem de tudo, mas pouco). Apesar de eu simpatizar com o corte chanel, a sombra verde e com alimentação saudável ao invés de loucuras de academia+plásticas, enquanto eu lia o texto lembrei da Fanny Ardant, atriz francesa com seus bons 58 anos. Nunca vi Fanny Ardant usando chanelzinho (pelo contrário, tem uma cabeleira volumosa e ondulada), sombra verde e seu físico não é do tipo magérrimo. Apesar disso, a mulher é linda de morrer, livre, inteligente (um ser que foi casado com Truffaut tem que ser no mínimo inteligente), atriz maravilhosa e elegantérrima, dando de dez em qualquer Kate Moss ou Sienna Miller. E isso me fez pensar: mas por que raios os homens preferem uma Sienna Miller a uma Fanny Ardant?
Algumas conclusões, baseadas em fatos que eu presenciei ultimamente: esse lance de conquista é todo um jogo de poder, em que o "melhor homem da safra" tem que pegar "a mais gostosa". Ou seja, o bonitão e a bonitona ficam juntos, até que um desencane, ou finja estar desencanado, para então ter o outro na palma da sua mão. Porque esse jogo também tem essa regra: pise, e quanto mais pisar, mais o outro estará apaixonado e mais vai querer ser pisado. E, se por algum milagre o pisado resolver desencanar, a situação se inverte: quem estava em vantagem se sente agora inferior, e quem antes era pisado agora tem o controle total da situação (dá pra entender isso ouvindo a música
Conquest, do White Stripes, e assistindo ao clipe, que é fantástico).
Hum, enfim, dá uma canseira só de escrever sobre essa coisa toda. Só de pensar em tudo que esse jogo de poder acarreta: supervalorização de bíceps, bundas e peitos, atrofia cerebral, baixa auto-estima, mulheres se vestindo como palhaças para parecerem sexy... É isso que eu vejo nessas modelos superexpostas, em patricinhas com tempo livre, que têm como modelo Sienna Miller. E que são totalmente o oposto do que se vê na Fanny Ardant.
Tomara que quando eu estiver com meus 40, tenha mais a ver com a Fanny Ardant do que com a Sienna Miller...

Fanny Ardant, très chic

???
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