domingo, 10 de fevereiro de 2008

Modelos

Outro dia estava eu lendo uma dessas revistas "femininas", sei lá se era Cláudia ou Nova ou Elle (eu sei que elas não prestam, mas nesse ponto eu sou como a Miranda de Sex and the City: qundo abro minhas revistas, nada mais existe...), e vi uma mini reportagem sobre "mulheres francesas". O texto tentava desvendar o que tornava essas sortudas tão lindas, magras e chics. Entre outras coisas, descobri que o corte de cabelo das très chics é aquele chanel com franja reta sobre a testa, a sombra é verde-musgo (mas esse já era meu tom predileto muito antes de eu ler a revista) e as porções de comida são mínimas (quer dizer, comem de tudo, mas pouco). Apesar de eu simpatizar com o corte chanel, a sombra verde e com alimentação saudável ao invés de loucuras de academia+plásticas, enquanto eu lia o texto lembrei da Fanny Ardant, atriz francesa com seus bons 58 anos. Nunca vi Fanny Ardant usando chanelzinho (pelo contrário, tem uma cabeleira volumosa e ondulada), sombra verde e seu físico não é do tipo magérrimo. Apesar disso, a mulher é linda de morrer, livre, inteligente (um ser que foi casado com Truffaut tem que ser no mínimo inteligente), atriz maravilhosa e elegantérrima, dando de dez em qualquer Kate Moss ou Sienna Miller. E isso me fez pensar: mas por que raios os homens preferem uma Sienna Miller a uma Fanny Ardant?
Algumas conclusões, baseadas em fatos que eu presenciei ultimamente: esse lance de conquista é todo um jogo de poder, em que o "melhor homem da safra" tem que pegar "a mais gostosa". Ou seja, o bonitão e a bonitona ficam juntos, até que um desencane, ou finja estar desencanado, para então ter o outro na palma da sua mão. Porque esse jogo também tem essa regra: pise, e quanto mais pisar, mais o outro estará apaixonado e mais vai querer ser pisado. E, se por algum milagre o pisado resolver desencanar, a situação se inverte: quem estava em vantagem se sente agora inferior, e quem antes era pisado agora tem o controle total da situação (dá pra entender isso ouvindo a música Conquest, do White Stripes, e assistindo ao clipe, que é fantástico).
Hum, enfim, dá uma canseira só de escrever sobre essa coisa toda. Só de pensar em tudo que esse jogo de poder acarreta: supervalorização de bíceps, bundas e peitos, atrofia cerebral, baixa auto-estima, mulheres se vestindo como palhaças para parecerem sexy... É isso que eu vejo nessas modelos superexpostas, em patricinhas com tempo livre, que têm como modelo Sienna Miller. E que são totalmente o oposto do que se vê na Fanny Ardant.
Tomara que quando eu estiver com meus 40, tenha mais a ver com a Fanny Ardant do que com a Sienna Miller...


Fanny Ardant, très chic


???

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